
Olá amigos!
Não recordo-me do dia, mas assistindo o programa ''Café Filosófico'' da Tv Cultura, por ocasião ministrado pelo historiador Leandro Karnal(professor da UNICAMP), que tratava justamente do tema ''Medo e Temor'', fiquei instigado à discorrer a respeito deste, um tema de relevância que julgo desprezada ao longo dos anos.
De fato, a crença em um ser superior pode gerar paz de espírito ou pode trazer medo. Além é claro de se caracterizar-se como um refúgio.
Mas teria alguém, ao ''refugiar-se'' de algum contexto, a intenção de buscar somente paz de espírito, ou tranquilizar sua consciência do medo, do qual seria consciênte ou inconsciêntemente acometida?
A Bíblia claramente nos apresenta Deus, com duas personalidades distintas. O Deus de Abraão é próximo e afetuoso; o Deus de Moisés lança raios e punições.
Apesar de todas as sutilezas e interpretações que possam ser obtidas nestas afirmações, não podemos negar que as pessoas tem buscado a religião por dois motivos distintos como as personalidades de Deus.
O Amor ou o Medo.
"Nenhum homem que tenha vivido conhece mais sobre a vida depois da morte que eu ou você. Toda religião simplesmente desenvolveu-se com base no medo, ganância, imaginação e poesia." Edgar Allan Poe
"A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como também o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo". Karl Marx
Já tenho minha opinião formada, no que diz respeito a função da religião e sua legitimidade.
Mas o questionamento que gostaria de levantar não é propriamente este. Seria mais algo como:
- Teria no mundo de hoje, tanto quanto nos séculos passados, o medo, o papel de grande estratégia publicitária das instituições religiosas, sendo o amor diretamente interdependente disso? Ou seria o amor, o próprio seminador de todos os dogmas e princípios das mais variadas religiões?
O medo da morte por exemplo, é um sentimento inerente ao processo de desenvolvimento humano. E esse medo funciona como pivô e como motor de todas as civilizações.
Afinal, este desejo pela perenidade, é que nos força a viver, nos inspira a construir coisas que nos transcendam. E esta "Transcendência''(para retomar o foco) é mais um dos significados da palavra religião.
No entanto, me custa muito crer, que as pessoas procurem a religião, para buscar transcendência, para religarem-se* com o divino.
*(Religare vem do latim "re-ligare", que significa "ligar com", “ligar novamente”, restabelecer a ligação perdida com o mundo que nos cerca ou com o nosso ''criador'')
Não consigo crer, pois é entristecedor perceber como as pessoas lidam com as relevâncias, e como lidam com banalidades.
Como conseguem inverter estes papéis de forma tão irresponsável.
Desta feita, se torna simples concluir que o medo interage de forma explícita e liminar, sendo responsável por guiar milhões de vidas mundo a fora.
Vidas que são diáriamente entorpecidas com todo o tipo de droga mental, e não se tornam capazes de tentar descobrir, nem onde, nem quando, nem porque estamos aqui.
Por hora é só, mas ainda tenho mais a acrescentar.
A Parte II, será postada na semana que vem!
Abraços e grato pela atenção.
Ao som de oscar peterson & dizzy gillespie - Alone Together
Foto do primeiro show que fiz com a banda, como convidado especial.
